Esse blog foi criado para publicar notícias baseadas nos boletins de ocorrência registrados nas noites de Cuiabá (MT). Tudo com uma pitada de humor.

8.2.08
 

Extorsão
Namoro virtual acaba com mulher atrás das grades

Um homem acabou fazendo o que não devia diante da webcam e quase caiu na rede. Depois de ser extorquido pela mulher com a qual teclava, foi ela que acabou nas redes. Da polícia.

Vamos ao início da história. Vinte dias atrás, um rapaz solitário de Várzea Grande conheceu uma garota pela internet. Trocaram e-mails e passaram a conversar pelo MSN. Ao longo dos dias, as conversas começaram a ficar mais picantes. O espertalhão imaginou que iria faturar a garota e, quem sabe, a convenceria para um encontro real. No entanto, ela se passou por mais esperta ainda.

O rapaz disse à polícia que a garota o incentivou a praticar 'gestos obscenos' diante da câmera do computador. O solitário internauta só não imaginava que essas imagens obscenas e obscuras seriam guardadas a sete chaves pela paquera virtual e utilizadas em uma extorsão dias depois.

Foi o que aconteceu. A garota disse que iria divulgar as imagens cabulosas da vítima na internet e que as mandaria para o trabalho do rapaz e para os colegas dele. Ela 'desistiria' da idéia caso o desesper... quer dizer, que o internauta, pagasse R$ 2 mil.

O incauto cidadão não teve outra alternativa a não ser acionar a polícia, que o orientou a marcar um encontro para pagar o montante. O local combinado foi um shopping da capital. Mas no lugar da sedutora internauta, apareceu um moto-taxista a mando dela. Ele pegou o envelope solicitado e partiu, sendo seguido pela polícia.

Minutos depois, o moto-taxista chegou ao endereço da acusada. Ela foi presa em flagrante por extorsão no momento em que recebeu o envelope com o dinheiro. A pena prevista para esse tipo de crime é prisão de 4 a 10 anos.

O caso acabou caindo na rede, mas pelo menos as fotos escabrosas do cidadão não vieram à tona. E viva a inclusão digital.

 
Caros amigos internautas. Após um longo período de inoperância, o Positivo volta a ser Operante. Voltarei a postar novas histórias, verídicas, como sempre, das peripécias policialescas em Mato Grosso. Para começar, um caso singular que aconteceu esta semana em Cuiabá. Boa leitura!

Sem corretivo
Bandidos usam arma de brinquedo e dão 'gorjeta' a vítimas

O plano estava traçado. Tudo parecia que sairia perfeitamente conforme combinado para o assalto a uma loja de cosméticos. No entanto, dois bandidos pareciam principiantes no ramo. Usaram arma de brinquedo e no final ainda dividiram parte do roubo com as próprias vítimas. Foram polidos demais e, ainda bem, acabaram em cana.

Genro e sogro. Combinação perfeita para um assalto. Jeferson da Silva (18) e Dakynes Pereira de Souza (34) entraram em uma Kombi roubada e foram até uma empresa de cosméticos na avenida Fernando Corrêa da Costa. Não queriam apenas um frasco de perfume, desodorante e, quem sabe, um hidratantezinho. Queriam muito mais. Estojos de maquiagem, corretivos, batons e assemelhados. Ah, também estavam de olho no dinheiro do caixa.

A dupla dinâmica invadiu a loja e rendeu os funcionários no fim da manhã. Um deles, empunhando uma arma de brinquedo semelhante a uma pistola calibre 380, parecia seguro de que nada iria dar errado. Estavam confiantes que sairiam lindos, leves e soltos depois do 'banho de loja'. Quer dizer, imaginavam que sairiam livres, cheios e soltos. Não demorou para que saíssem presos e algemados.

Eram gananciosos. Queriam tudo o que encontraram pela frente. Não escaparia um batom sequer. Um lápis de sobrancelha. Na pressa, perceberam que não conseguiriam carregar tudo o que queriam. A idéia brilhante surgiu. Decidiram recrutar os próprios funcionários da loja, as vítimas, para que carregassem os objetos para a Kombi roubada. E assim foi feito.

Depois de lotar o veículo, Dakynes ainda tentou um gesto de 'bondade'. Deu R$ 50 de gorjeta para cada vítima que ajudou a colocar os produtos dentro da Kombi para a dupla fugir. Não adiantou, a polícia chegou a tempo de deter os dois suspeitos. Segundo a polícia, esta não seria a primeira vez que eles eram presos acusados de tentativa de roubo e furto.

12.7.07
 
Golpe sujo
Traficante fantasiado é preso em flagrante pela PRF

A ocorrência a seguir não aconteceu no carnaval. No entanto, algumas marchinhas carnavalescas devem ter passado pela cabeça dos policiais que detiveram um homem acusado de tráfico de drogas. Enquanto Henrique Antônio Meneses Dias (33) cantarolava "Ô abre alas que eu quero passar [pela blitz]", os policiais se questionavam: "Olha a cabeleira do Totó.. será que ele é, será que ele é... mecânico?".

A blitz estava armada na rodovia BR-364, na saída de Cuiabá para Rondonópolis. Era hora do almoço quando policiais rodoviários pararam um automóvel Del Rey com placa de Goiás. A parada obrigatória permitiria que o motorista Henrique Antônio seguisse, em breve, a viagem. No entanto, uma irregularidade no assoalho do veículo levantou a suspeita dos policiais, que decidiram fazer uma revista minuciosa no carango.

Chave de fenda e furadeira nas mãos, os PRFs abriram o assoalho e encontraram 20,6 quilos de pasta-base de cocaína. Segundo a PRF, o motorista teria confessado que pegara a droga em Cáceres com um homem identificado apenas como 'gordo' e que levaria a encomenda até um posto de combustível em Goiânia. Para tanto, receberia R$ 10 mil!

Henrique ficou sem o dinheiro, mas recebeu um par de pulseiras e a fama de péssimo intérprete. Explico: o suspeito estava 'disfarçado' quando foi detido pelos policiais. Henrique Antônio é caminhoneiro mas, quando aceitou a proposta de levar a droga até o estado vizinho, se propôs a deixar o cabelo e a barba crescerem por cinco meses. Tudo isso para se parecer com um mecânico - e quem disse que mecânico é cabeludo e barbudo?! Pois bem, para completar o surpreendente disfarce, em Cáceres ele ainda recebeu um complemento da fantasia. O fornecedor da droga entregou a ele uma roupa toda suja de graxa, que seria a indumentária de um 'típico' mecânico.

Ah, as pulseiras que ele ganhou? Na verdade é um 'disfarce' do par de algemas da polícia rodoviária federal.

30.6.07
 
Pra viagem
Frete superfaturado denuncia tráfico de 500 kg de maconha

Flagrantes de apreensão de droga geralmente rendem boas matérias. E esta semana uma idéia criativa de traficantes rendeu uma história inusitada para os jornalistas e a maior apreensão de drogas do ano no Estado. Em um caminhão de mudanças, traficantes pretendiam levar 568 quilos de Mato Grosso do Sul para Mato Grosso. A droga estava bem disfarçada no caminhão, mas não evitou o flagrante da Polícia Federal.

Detalhes. Não basta ter uma boa idéia, mas estar atento a mínimos detalhes para que um plano, seja ele qual for, seja bem executado. Os traficantes até que inovaram, criaram uma situação convincente para transportar a droga sem ser percebidos. No entanto, economizaram em alguns aspectos, que rendeu um "prejuízo" de R$ 250 mil à quadrilha. É em quanto estava avaliada a droga.

Policiais federais desconfiaram de um caminhãozinho que vinha de Mato Grosso do Sul para Cuiabá. Pararam o motorista e avaliaram a carga. Era um caminhão de mudança, com diversos móveis, velhos, por sinal. Havia algo estranho e decidiram questionar o motorista. Foi quando descobriram que ele receberia R$ 2.200 para fazer o transporte. Olhando atentamente em cima da carroceria, os policiais não tiveram dúvidas, havia algo errado, já que a carga transportada, os móveis, não aparentavam valer tudo isso.

Em cima do caminhão, os policiais decidiram abrir os móveis e se surpreenderam ao abrir um guarda-roupas. No lugar das roupas, havia dezenas de pacotes de maconha. Em um armário de cozinha, idem, maconha pra todo lado. Eles constataram que o motorista não tinha conhecimento do tráfico e aguardaram finalizar a entrega na capital para prender o traficante e o comprador.

Não demorou muito para que a mercadoria chegasse ao destino. À espreita, os policiais federais perceberam quando o traficante, que tinha vindo de Mato Grosso do Sul em um ônibus, se apressou em acertar o negócio com o comprador em Cuiabá. Os dois foram presos em flagrante.

Na tentativa de economizar com o frete e conseguir o maior lucro na venda da droga, o traficante acabou chamando a atenção da Polícia. Os dois suspeitos foram presos e levados para o Presídio Pascoal Ramos.
Foto: Reprodução TV Centro América

19.6.07
 
Coca na batata
Ladrão fica 'bombado' com cocaína mas é preso em flagrante

Imaginação sem limites. Tudo para tentar burlar a lei. No entanto, a polícia tem conseguido identificar novas formas adotadas por traficantes para transportar drogas de um lugar para o outro. As 'mulas', como são conhecidas as pessoas contratadas para levar a droga, estão se submetendo cada dia mais a situações vexatórias para conseguir um trocado e tentar enganar a polícia. Muitas, ainda bem, têm sido presas. Foi o caso do cidadão da foto...

André dos Santos Neves (26) pretendia passar uns dias em Recife. Não precisou ir a agência de turismo, comprar passagem, nem reservar hotel. Pelo contrário, ganhou todas as indicações e ainda recebeu R$ 700 para a viagem. Em troca, teria que levar uma encomenda à capital federal: um quilo de cocaína. O problema era como esconder a droga sem que a polícia suspeitasse caso o ônibus em que ele estava fosse parado.

Quilos de droga já foram encontrados escondidos dentro de bonecas, bolas, garrafas, pneus e tudo quanto é tranqueira. Dessa vez, o suspeito quis inovar. Uniu o útil ao agradável. Dividiu a cocaína em dois pacotes e tratou de amarrá-los na batata da perna. Eis a solução: ninguém perceberia que a droga estava escondida sob a calça e, caso alguém notasse algo estranho, ainda imaginaria que André Neves estava 'malhadão'. Ele até teria treinado alguns exercícios para panturrilha caso fosse questionado por alguma passageira mais assanhada.

André embarcou em Cáceres com a droga com destino a Recife. O plano começou a dar errado quando uma equipe da PRF parou o ônibus em que ele estava, em Primavera do Leste. Os passageiros foram obrigados a descer e o suspeito começou a andar desajeitadamente. Os policiais desconfiaram e encontraram a droga depois de uma revista. O suspeito confessou o plano, pagou o maior mico perante os outros passageiros e acabou na cadeia.

8.5.07
 
Esqueceram de mim
Ladrões seqüestram vítima e esquecem dinheiro na fuga

A cada dia os jornais, revistas e sites publicam reportagens sobre o aumento do crime organizado. É quadrilha especializada nisso, especializada naquilo, roubo a banco, seqüestro-relâmpago, golpe aqui, golpe acolá. De vez em quando, para o desgosto da categoria, aparece uma quadrilha especializada em cometer gafes. Este é um caso exemplar de como gente incompetente tem em todo lugar, inclusive na bandidagem -- ainda bem!

Um casal muito mal intencionado planejou meticulosamente uma maneira terrível de conseguir uns trocados. Viram diversos exemplos nas novelas, imaginaram que seria fácil colocar o plano em prática e saíram à caça da vítima. A escolha não demorou muito. Decidiram abordar uma dentista de 33 anos em uma rua movimentada do centro de Cuiabá.

Era por volta de 8h na avenida Voluntários da Pátria, próximo à antiga Escola Técnica Federal. A dentista foi parada, a caminho do trabalho, por um casal. Os ladrões entraram no carro da vítima e a obrigaram a dirigir pela cidade.

O plano era simples, dar uma volta, parar em um banco, sacar dinheiro, dar mais uma volta, fazer umas ameaças e depois fugir com o dinheiro e fazer uma festa para comemorar a ação. O problema é que os bandidos, ou eram novatos no ramo e estavam mais nervosos que a vítima, ou são burros mesmo.

Os seqüestradores-relâmpago obrigaram a vítima a sacar R$ 1 mil da conta dela, em um banco, em Várzea Grande. Durante as três horas em que permaneceu em poder dos bandidos, a dentista, que foi obrigada a colocar um plástico [?!] na cabeça, foi trocada de veículo duas vezes.

Por volta de 11h, a dentista foi liberada pelos bandidos em frente ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Aliviada, ela não percebeu a surpresa que a esperava. Ela chamou a polícia e depois constatou o despreparo dos assaltantes. A dupla de bandidos esqueceu, dentro do porta-luvas do carro, todo o dinheiro sacado no banco. Eles fugiram sem levar um centavo sequer. Na delegacia, enquanto a ocorrência era lavrada, todos tentavam imaginar a reação dos bandidos ao perceber que nenhum deles havia pego o dinheiro do roubo frustrado.

 
Mais um post da série Vale a Pena Ler de Novo

Farra no cemitério

Casal é flagrado desenterrando morto para furtar jóias

Era só o que faltava. Quer dizer, não falta mais. Agora nem os mortos estão livres de assalto. A prova disso é que está atrás das grades um casal preso em flagrante violando túmulos. Aqui é o seguinte: violou, tem que pagar!. Se bem que o casal imaginou que o ditado era diferente: violou, tem que furtar. Eu já acho que deveria ser: violou, tem que rezar...

Madrugada no Cemitério Municipal de Várzea Grande, no Jardim Botafogo. Três e 30 da matina. Essa hora até as almas penadas estavam dormindo na cidade vizinha a Cuiabá. Naquele local, apenas um casal estava acordado. Sidcley Gomes (26) e Luceni Guimarães estavam suados, ofegantes, ao lado de uma sepultura. O que eles faziam nem os espectros iriam acreditar.

Policiais caça-fantasmas estavam fazendo rondas pelo bairro e suspeitaram de um carro parado em frente ao cemitério. Não havia ninguém dentro. Como os moradores daquele endereço não possuem carro, os policiais perceberam que algo errado estava acontecendo e entraram no cemitério, deixando o medo de lado.

Ao avistar a polícia, Sidcley tentou fugir, tropeçou nas lápides, desviou dos mausoléus, mas foi detido. Ele alegou que era "filho de santo" e que estaria realizando um "trabalho" no local. Logo os policiais perceberam que de santo Sidcley não tinha nada. No lugar onde o acusado foi flagrado havia um buraco. Eles encontraram também duas enxadas e uma pá. A esposa de Sidcley, a suposta "nora de santo" também foi detida.

Os policiais constataram que o concreto do túmulo estava quebrado e pediram explicações ao casal. A resposta foi direta. O defunto em questão havia sido enterrado com muitas jóias e o casal, com problemas financeiros, teve a brilhante idéia de furta-las. Os dois foram levados para a Delegacia Regional de Várzea Grande antes de ter a certeza de que as jóias estavam a sete palmos do chão. Se havia jóias e se elas ainda permanecem lá... mistééério.

10.1.07
 
Socorro!
Vítima de acidente recusa ajuda e sai no tapa com bombeiros

Vida de bombeiro não é fácil. Correria o dia inteiro agüentando aquele barulho infernal das sirenes. Combatendo incêndios ou socorrendo vítimas de acidentes, dedicam suas vidas a salvar outras vidas. Trabalho árduo. Duro é ter que agüentar bêbado dando chilique...

Um acidente de automóvel na avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Os bombeiros prontamente são chamados para socorrer as vítimas. Parecia um dia de trabalho como outro qualquer. Não era. O cidadão que era vítima no acidente, e deveria constar assim no boletim de ocorrência, estava prestes a ter o nome escrito em outra lacuna da ocorrência: suspeito. Vamos aos fatos.

Chegando ao local, os bombeiros encontraram Carlos Alberto (26) ferido. Segundo os bombeiros, o sujeito estava embriagado. Seguindo adiante com o trabalho, Carlos Alberto foi medicado e teve até alguns curativos feitos durante o trabalho de primeiros-socorros. Para espanto dos bombeiros, de uma hora para outra, o rapaz se levantou, arrancou as bandagens e se recusou a ser medicado.

O bombeiro Jéferson, que chefiava a equipe, se assustou com a atitude do valente bêbado. Retirou a equipe que prestava socorro e se dirigiu à viatura. No entanto, dois jovens que acompanhavam Carlos reclamaram e exigiram que o bebum fosse atendido. O bombeiro se recusou, alegando que o trabalho já havia sido feito. Inconformados, os amigos Adriano e Francisco passaram a agredir os bombeiros com socos e pontapés. Tudo para garantir o atendimento médico, sem perceber que desta forma eram os bombeiros que teriam que ser medicados.

A solução foi chamar a polícia militar. Os três ¿amigos¿ foram detidos por desobediência e desacato. Carlos Alberto ainda deve responder por embriaguez. Curioso foi que na delegacia, mesmo ferido, um dos jovens que lutou para garantir o atendimento médico para o amigo, recusou a medicação de um enfermeiro. Foi lavrado um termo circunstanciado em nome dos três.

7.1.07
 
Mau exemplo
Pai engana policiais, foge com carro irregular e abandona filho em blitz

Situação periclitante nas ruas da capital mato-grossense. Um homem com um automóvel que estava com a documentação vencida dá uma lição ao filho na frente de policiais. Não, caro leitor, não foi uma lição de moral. Muito pelo contrário. Deu uma lição de má educação, mau exemplo e desrespeito à legislação. Vamos aos fatos...

Policiais militares do Batalhão de Trânsito da capital realizavam uma blitz na avenida Getúlio Vargas (que cidade não tem uma avenida com este nome?). Nessa via pública concentram-se bares, restaurantes, lanchonetes e acaba servindo como point nos finais de semana. Passava de 21h quando os policiais decidiram parar o motorista de um automóvel Corsa. O diálogo de praxe se desenrola e o motorista apresenta os documentos ao PM. Na hora, a constatação: documento vencido.

Nessa situação, indubitavelmente (sim, já foi 'periclitante' e agora, 'indubitavelmente'; passei a noite lendo o dicionário) o carro é apreendido e o motorista multado. Enquando a notificação era realizada, eis que chega o pai do motorista, C.E., um jovem senhor, durão e com modos de poucos amigos. Ele toma par da situação e, em um descuido dos policiais, C.E. entra no veículo, dá a partida e dispara em alta velocidade.

A fuga teria sido espetacular e poderia ser incluída nas tramas mais rocambolescas da novela das oito. No entanto, um detalhe não pôde deixar de ser despercebido. É que o pai-herói foi embora com o carro e deixou o filho com os PMs. Não restou dúvidas e o jovem ficou no local sob a vista de todos os policiais enquanto reforço era acionado para tentar localizar o carro com o fujão. Nem foi preciso muito esforço.

Minutos depois, enquanto os policiais ainda discutiam o que seria feito para localizar o pai desnaturado, C.E. aparece a pé. Ele passa tentando se disfarçar, para levar o filho embora. Os policiais percebem a estratégia, reconhecem o sujeito e o detém. A confusão termina na delegacia com o registro de uma ocorrência contando toda a história. O pai fujão não vai preso, mas é notificado por todas as infrações cometidas.

2.1.07
 
Caros colegas internautas, primeiramente, feliz 2007! Que este ano seja repleto de felicidades a todos, com menos ocorrências trágicas e mais histórias hilárias, enfim, um ano verdadeiramente Positivo e Operante. Agora, vamos ao que interessa...

Tá limpo
Adolescentes são detidos após furtarem cesto de lixo!

Bizarro. O ano começou sujo para uma duplinha de meliantes em Cuiabá. Enquanto jovens da cidade festejavam a entrada de ano vendo os fogos de artifício e bebendo a sobra de espumante das taças dos adultos, dois adolescentes tentavam a sorte de uma maneira um tanto quanto inusitada. O garoto H.C. (17) e a companheira A.M. (12) decidiram arranjar algum dinheiro nos primeiros minutos de 2007. Sem muitas opções, optaram por furtar o cesto de lixo de uma residência.

O caso aconteceu ainda na madrugada do dia 1º de janeiro. Moradores do condomínio CPA Norte III, no bairro Vila da Serra, ainda cantarolavam as músicas do Show da Virada, alguns já sentiam os efeitos do pernil e tender assados muitas horas antes e outros que possivelmente exageraram na dose já estavam se preparando para a primeira ressaca do ano. Um dos moradores, no entanto, demonstrava estar imune a esses efeitos colaterais da virada e percebeu que havia estranhos no condomínio.

O morador percebeu que havia dois adolescentes em atitude suspeita nas proximidades da casa dele. Não teve dúvidas e questionou os jovens sobre o que faziam ali. H.C. e A.M. afirmaram, nervosos, que estavam visitando parentes. Aparentemente atacados por uma amnésia-reveillônica, os dois não souberam informar qual era a casa em que os tais parentes moravam muito menos os nomes dos condôminos. O clima esquentou...

H.C. e A.M. passaram a ser sabatinados pelo morador, que queria uma explicação plausível para que os dois estivessem no condomínio às 4h. Eles confessaram, então, que entraram no local para furtar um cesto de lixo de uma das residências. Inclusive indicaram o local onde haviam escondido o cesto da casa de Laudiney Correa da Costa (51). Os dois meliantezinhos também confessaram que entraram outras vezes no condomínio e furtaram outros três cestos de lixo e os venderam para um ferro-velho no bairro CPA III.

Os dois adolescentes foram levados para a Delegacia Metropolitana de Cuiabá. Sorte que o delegado estava de bom humor, apesar de ter que ficar o reveillon de plantão. O jovem H.C. nem precisou de um hc (habeas corpus) - ok, ok, essa eu forcei a barra - para se livrar do xilindró. Os pais dos dois adolescentes compareceram à delegacia e os autores do furto foram liberados. O cesto, devolvido ao dono.

22.12.06
 
Mais um post da série Vale a Pena Ler de Novo. Essa matéria foi publicada originalmente em novembro de 2004. Aconteceu de verdade. Acreditem.

Ligue-ligue
Jovem é detido após passar 111 trotes na PM

Pode parecer trote, mas não é. O caso aconteceu e foi registrado pela Polícia Militar de Mato Grosso. Um jovem de 22 anos foi detido depois de passar mais de 100 trotes na PM e no Corpo de Bombeiros. Para ser mais exato, foram 111 trotes! A detenção de Franco Assis Moraes Santiago aconteceu de madrugada, no bairro CPA 4, em Cuiabá.

Franco foi preso em flagrante ao lado do telefone público de onde ele costumava zoar com as autoridades. Além de passar os trotes informando falsos roubos, ele aproveitava para ameaçar os policiais que atendiam as ligações.

Na delegacia, Franco foi bem franco (ridícula essa, hein) e contou todo o plano. Ele era "contratado" da gangue chamada Os Guerreiros do Jardim Brasil. Apesar do nome parecer de algum grupo gay de carnaval, a quadrilha era de "alta periculosidade", como gostam de classificar os policiais. Franco ameaçou vários policiais que haviam prendido membros dessa gangue. Além disso, o telefonista da gangue era incumbido de passar falsos alertas de roubos em alguns bairros enquanto os ladrões assaltavam em outros bairros. Coisa de quadrilha organizada. Ou quase...

O problema é que Franco vacilou. O Centro Integrado de Operações de Segurança Pública vinha registrando trotes do mesmo orelhão, localizado no antigo ponto final do CPA IV. Policiais militares estavam fazendo rondas de madrugada justamente naquela região quando o Ciosp registrou mais uma denúncia de furto. O telefone de onde partiu a denúncia era o mesmo dos trotes. Então, os policiais foram até lá e viram Franco a cinco metros do orelhão, escondido atrás de um poste (?!).

O pilantra contou ao delegado plantonista que recebia R$ 50 para fazer ameaças aos policiais.

6.12.06
 
Ladrão esquecidinho
Alarme dispara e leva policiais até local onde moto roubada estava escondida

O trabalho dos policiais civis e militares não é fácil. Precisam ter coragem para enfrentar bandidos, inteligência e até mesmo um pouco de sorte. O trabalho seria mais fácil se encontrassem pela frente sujeitos como Marcos Fernando de Souza (22) detido por suspeita de roubo de uma moto. Ele garante que não teve qualquer envolvimento no caso. Uma vacilada fenomenal levou a polícia até a casa de Marcos para recuperar uma moto que acabara de ser roubada.

José Roberto Bueno Dias (25) trabalhava fazendo cobranças em Cuiabá. Certo dia, por volta de 16h, ele estava trabalhando no bairro São João Del Rey. Estava subindo na moto dele, uma Honda verde, quando passou de cobrador a cobrado. Um ladrão armado com uma pistola tratou de dizer o que queria: as chaves da moto e dinheiro.

O ladrão, que passara a ser o cobrador naquele momento, ainda mandou que José Roberto não o encarasse, com receio de ser reconhecido mais tarde. Parecia prever o que iria acontecer. O bandido conseguiu o que queria e partiu com a moto em direção ao linhão de energia elétrica no bairro.

A Polícia Militar foi chamada e José Roberto seguiu junto com uma viatura para tentar localizar o assaltante. Nem precisaram andar muito. Próximo à escola Maria Elazir, começaram a ouvir um ruído estranho. Para o cobrador Zé Roberto, o barulho não era estranho. Ao contrário, muito familiar. Ele reconheceu o zunido como o alarme da moto dele, que tinha sido roubada. O trabalho 'árduo' foi seguir o som para localizar o veículo.

A moto foi encontrada em uma residência. Lá dentro, os policiais interrogaram uma jovem de 18 anos que contou o que acontece. Disse que Marcos Fernando acabara de chegar com a moto. Garantiu que tinha comprado a moto. Só não explicou porque não havia aprendido a desligar o alarme da moto e porque tinha que dar umas cacetadas nela para que parasse de apitar. A jovem desconfiou, obviamente.

Vasculhando a casa os policiais encontraram Marcos em um cômodo. O suspeito-ator disse que estava dormindo e que não tinha idéia de como a moto havia parado na casa. Nem cogitaram a possibilidade de sonambulismo. Levaram Marcos para a delegacia e constataram que ele já tinha passagem por porte ilegal de arma e furto.

5.12.06
 
Crime desorganizado
Ladrão assustado foge da polícia e cai em ribanceira

Havia uma ribanceira no meio do caminho. No meio do caminho havia uma ribanceira. Um ladrão descontrolado não percebeu o obstáculo, rolou morro abaixo e acabou preso pela polícia momentos após um assalto. O comparsa dele, menos desatento, conseguiu escapar.

Policiais militares faziam rondas pela avenida República do Líbano, próximo à rodoviária de Cuiabá. Já passava de 23h e eles desconfiaram de três homens "reunidos" no canteiro central da avenida. Diminuiram a velocidade e se prepararam para abordar os três indivíduos. Ao chegar próximo ao alvo, sobrou apenas uma pessoa. Os outros dois fugiram em "desabalada carreira" (policial adora esse termo).

O sujeito que ficou no meio do canteiro, estatelado, foi Valter Máximo da Silva (36). Ele ficou acenando para os policiais afirmando que estava voltando do trabalho e acabara de ser roubado pelos dois meliantes. Os policiais trataram de correr atrás dos suspeitos. E nem precisaram se esforçar muito.

Durante a perseguição, Edson Fernandes da Silva (21) correu para onde o nariz apontava. Não conhecia bem a região onde decidira praticar o roubo e, conseqüentemente, não sabia a rota de fuga. Amadorismo mesmo. O resultado foi catastrófico. No meio da escuridão, Edson caiu em uma ribanceira de quatro metros de altura. O suspeito acabou se esborrachando no chão e só levantou depois que estava sob a mira das armas dos policiais. Acabou fazendou um tour pelo Pronto Socorro de Cuiabá antes de passar a noite na Delegacia Metropolitana.

O outro suspeito, identificado apenas como Jozinho, adotou outra rota de fuga e conseguiu escapar levando a bicicleta da vítima e uma carteira com documentos e cartão de banco.

27.11.06
 
Perseguição
Bois fogem de abatedouro e congestionam trânsito

Recentemente publiquei uma matéria sobre o furto de 170 quilos de picanha. Semanas atrás noticiei sobre cavalos que corriam à vontade em uma avenida. Agora, bois fogem de abatedouro e tumultuam o trânsito na capital. Depois os cuiabanos reclamam que Mato Grosso ainda é tratado como província. Menos mal que ainda não há registros de jacaré nem onças pelas ruas. Vamos à história de hoje...

Domingo amanheceu com um sol radiante nos céu de Cuiabá. Muitos aproveitaram para se refrescar em Chapada dos Guimarães. Os menos favorecidos se refrescaram com mangueira na laje de casa e outros preferiram passear pela cidade. A última opção foi a escolhida por uma família peso-pesado, que tentava fugir da polícia. O problema é que o tamanho dos 'fugitivos' e o local escolhido para passear não permitiu passarem incólumes: três bois fugiram e dividiam espaço com automóveis nas avenidas de Cuiabá.

Um dos bois ainda tentou se esconder próximo a uma agência bancária. Não conseguiu. Três equipes de policiais militares e uma equipe do Corpo de Bombeiros foram chamadas para capturar o fujão. E penaram. Os bombeiros prepararam cordas e tentavam, a todo custo, laçar o animal. Acabaram levando um baile do boi, que fugiu pela avenida, atravessou a ponte e andou tranqüilo na contra-mão. Às vezes um motorista engraçadinho buzinava e provocava o boi. "Sai da frente chifrudo". "Sua mãe é uma vaca". Foram algumas das 'sutilezas' proferidas ao pobre animal.

Depois de muita caminhada e de várias laçadas infortúnias (hoje estou com o vocabulário afiado), o boi tentou se esconder novamente. O esconderijo escolhido desta vez foi uma casa, pequena demais para ele. Os bombeiros, enfim, conseguiram laçá-lo e colocá-lo em um caminhão para levar de volta ao abatedouro. Os outros dois bois também foram recapturados posteriormente.

24.11.06
 
Furto frustrado
Ladrões são detidos tentando furtar 170 quilos de picanha

Está cancelado o churrasco. Tudo parecia transcorrer normalmente. O plano estava sendo seguido à risca. Só que os meliantes não imaginavam que estavam sendo observados. A idéia de furtar 170 quilos de picanha não deu certo e os dois espetinhos, digo, espertinhos, vão deixar de lado a carne nobre para se deliciarem com uma quentinha na cadeia.

Já era noite no supermercado Atacadão, no bairro Porto, em Cuiabá, quando seguranças verificaram que havia muitas caixas no local reservado para o lixo do estabelecimento, do lado de fora do mercado. Uma observação mais detalhada e foi possível constatar a irregularidade. Alguém, possivelmente um funcionário, colocou no suposto lixo nove caixas contendo no total 170 quilos de picanha. Avaliada em R$ 13 o quilo, teoricamente iam para o lixo R$ 2.210 em carne. No entanto, o 'erro' foi proposital.

Os seguranças imaginaram qual seria o golpe e decidiram aguardar. Eles não precisaram esperar muito. Duas horas depois um automóvel Uno preto estacionou próximo às caixas e dois sujeitos passaram a rondar o 'lixo'. Fingindo estar à procura de caixas velhas, um deles tratou de colocar as embalagens com a picanha dentro do veículo. Foi o suficiente para que os seguranças o cercarem e darem voz de prisão.

A surpresa foi maior ao constatar que um dos suspeitos era funcionário do mercado. Daniel Carlos da Silva trabalhava como repositor no setor de hortifrutigranjeiro do Atacadão. Talvez amargurado em passar o dia repondo cenouras, pepinos e outros legumes/verduras de duplo sentido, tratou de mudar de ramo. E escolheu a picanha, carne de duplo sentido.

Daniel e Sivaldo Capestana, o motorista do automóvel, negaram qualquer participação no crime. Eles alegaram que queriam apenas pegar caixas vazias e que não sabiam o que as picanhas estavam fazendo junto ao entulho. No entanto, não reclamaram da situação ao avistar a carne e já tinham até guardado algumas dentro do carro.

Em depoimento à polícia, um outro funcionário do mercado disse que já havia sido notado o furto de carne dias atrás no estabelecimento. Segundo o funcionário, foram desviados mil quilos de carne, avaliados em cerca de R$ 10 mil.

17.9.06
 
Flagrante
'Imortal' é detido vendendo droga em Cuiabá

Dez horas da noite. Policiais militares em ronda pelo bairro Jardim Passaredo, em Cuiabá, estão prestes a fazer a prisão mais significativa das carreiras deles. Faltam minutos para que prendam um dos personagens mais conhecidos do cinema mundial. Esqueçam Indiana Jones, Homem-aranha ou 007. O suspeito procurado pela polícia é 'imortal'.

Em frente a um mercado os policiais notam diversas pessoas em atitude suspeita (seja lá o que isso possa significar - estava no boletim de ocorrência). A ordem é clara: descer e procurar por armas e drogas. Os policiais descem da viatura conforme treinado anteriormente. "Mão na parede, pernas afastadas". Os cidadãos são revistados, mas nada é encontrado. Nem armas, nem drogas.

Os policiais dão as costas e simulam ter terminado o trabalho. Se distanciam um pouco. Os cidadãos no bar não notam, mas há policiais à paisana. Um deles nota claramente quando um homem procura à volta por alguém. Em seguida, o suspeito grita: "pode sair que a área está limpa". E ele surge...

(Névoa)... (trilha sonora de suspense)...

De sabe-se-lá-onde aparece um cidadão com uma sacola. Não é uma pessoa qualquer. Era quem os policiais procuravam: Raylander Maderi. Rapidamente os PMs retornam ao local e revistam Raylander, o imortal. Com o suspeito são encontradas duas porções de cocaína. Raylander, quem diria, sobreviveu através dos tempos vendendo droga na periferia de Cuiabá.

A multidão se dispersa enquanto Raylander é conduzido ao camburão e levado para a Delegacia Metropolitana, onde é lavrado o flagrante. Engana-se quem imagina que ele passará a eternidade na prisão. Para um imortal (e levando em consideração o sistema penitenciário estadual), a pena passará em um piscar de olhos.

4.9.06
 
Família
Ladrão rouba fraldas de mercado em Cuiabá

Três sujeitos invadiram um mercado no bairro Jardim Brasil, em Cuiabá, no que parecia mais um roubo típico de ladrõezinhos da periferia. Assaltantes se satisfazem com um pouco de dinheiro do caixa e, às vezes, aproveitam para levar pra casa também alguns litros de pinga. Desta vez o cenário era o mesmo. O roteiro também era o mesmo. Os personagens, não...

José Osmar Moraes trabalha no Mercado 4 Estrelas. Já havia anoitecido quando três homens vestindo bermudas e camisetas entraram no estabelecimento. Um deles tratou logo de tirar um revólver da cintura e anunciar o porquê deles estarem ali. Um assalto. Funcionários e clientes ficaram imóveis aguardando o desfecho da cena.

Um dos ladrões foi direto ao caixa raspar a caixa registradora. Conseguiu nada mais do que R$ 35 e uma calculadora. Os outros dois circularam pelo mercado à procura de objetos de valor. No entanto, desta vez o valor não estava nos objetos em si, mas na necessidade que eles representavam.

Em poucos instantes o roubo terminou e o dono do mercado, José Osmar, até poderia imaginar que o prejuízo seria maior. Ele só não esperava é que os ladrões tivessem diversificado tanto o foco do roubo. Enquanto um meliante se apressou em pegar um maço de cigarro, talvez para alimentar o vício, o outro pensou na família. É que um dos bandidos preferiu deixas bebidas, alimentos e dinheiro, para roubar dois pacotes de fralda.

Depois do roubo, constatada a atitude do ladrão e imaginando o despero aliado à necessidade que ele passava, poucos se lembraram de chamar a polícia. Rondas foram feitas pela região, mas nenhum dos assaltantes foi localizado.

23.8.06
 
Cartão vermelho
Bala perdida encontra perna de jogador de futebol

Sabe aquele atacante que não há zagueiro que consiga marcar? Aquele que dribla todo mundo, que corre o campo inteiro sem que ninguém consiga segurá-lo? Costumam dizer que jogador assim, só se pára na bala. Foi assim que pararam Luciano Bispo de Jesus (32) no meio de uma partida de futebol. O atleta estava participando de uma pelada quando foi atingido por um tiro.

Sábado à tarde. Os atletas-de-fim-de-semana se reúnem para suar a camisa no mini-estádio do bairro São João Del Rey, em Cuiabá. Fazia sol e a umidade relativa do ar estava lá embaixo. Dois times se enfrentam em um jogo entre amigos no bairro. A partida podia ser entre amigos, mas a cena que estava por acontecer amigo nenhum gostaria de presenciar.

Luciano Bispo estava em campo. No boletim de ocorrência não havia a informação sobre qual a posição dele no esquema tático da equipe. Nem precisava. Ele mesmo narrou o que aconteceu na fatídica tarde. Estava participando do jogo quando, de repente, sentiu uma fisgada na perna esquerda. Não, não era contusão. Também não havia nenhum zagueiro-açougueiro por perto tentando uma entrada maldosa. A dor persistia. Foi quando o jogador percebeu que havia um ferimento na perna. Luciano acabara de ser baleado.

Cartão vermelho

Uma bala perdida, vinda de ninguém sabe onde, acertou a perna artilheira. Luciano, que não estava usando caneleira à prova de bala, foi ao chão. No mini-estádio não há maqueiros como nos grandes estádios e a vítima teve que sair amparada pelos colegas de time. O árbitro da partida, com o cartão vermelho na mão, ainda deu uma volta no campo à procura do autor do disparo, queria expulsá-lo do campo. Ninguém foi encontrado. Mais tarde até a polícia passou pelo local. Não estavam com o cartão vermelho, mas tinham a intenção de expulsar o infrator do convívio com a sociedade.

O atleta foi socorrido e levado ao Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, onde recebeu atendimento médico. Depois, ficou em observação. Deve se recuperar para participar das próximas peladas no bairro. Não, caro leitor, no boletim de ocorrência também não havia o resultado final da partida.

14.8.06
 
Sem infância
Ladrão furta capacete rosa da Hello Kitty e Meninas Superpoderosas

Quando parece que os ladrões já furtaram tudo que é possível neste mundo, até mesmo controle remoto imaginando que era celular, eis que um espertalhão nos surpreende. O boletim de ocorrência registrado pelo policial militar Wantuir Domingos da Costa (25) nos leva a crer em duas hipóteses: ou o ladrão não teve o que roubar e resolveu sacanear; ou o delinqüente era fã da Hello Kitty e das Meninas Superpoderosas. Quem sabe, das duas.

Wantuir largou o batente e foi passear com a filha em um shopping da capital. Parou na avenida Fernando Corrêa da Costa e estacionou a motoca, uma Honda Bis preta. Largou a moto e foi passear. Uma hora e meia depois, retornou para o local onde havia estacionado a possante. Furtaram a moto? Não, ela ainda estava lá. No entanto, Wantuir, que é policial militar, logo percebeu que algum meliante havia arrombado o bagageiro.

Após uma análise mais detalhada, o PM constatou o estrago. O ladrão havia furtado, vejam só, um capacete. Não era um capacete qualquer, não. Era da filha do policial: um capacete infantil. Além do mais, era rosa. E pra completar, estava cheio de adesivos das Meninas Superpoderosas e Hello Kitty. Agora, a dúvida. Que diabos o ladrão queria com um capacete infantil rosa e cheio de desenhos?!

Até mesmo os policiais na delegacia fizeram esta pergunta e não encontraram uma resposta plausível. O certo é que, se algum motoqueiro for flagrado com um capacete rosa enterrado na cabeça, será parado na certa na primeira blitz que encontrar pela frente.

21.6.06
 
Azarado
Ladrão deixa arma cair durante assalto e foge sem roubar nada

Assaltante que se preza tem que conseguir o máximo de lucro em uma empreitada criminosa. Com o personagem de hoje, a situação foi muito diferente. O pilantra, possivelmente novato no ramo, não conseguiu roubar nada. Pior! Ainda ficou sem a arma. Sorte nossa.

O caso aconteceu no fim de semana em um bairro da periferia de Cuiabá chamado Jardim Vitória. A vitória mesmo foi de Lindomar Souza Santos, proprietário de um pequeno comércio na rua José Torquato. Passava de 22h quando um cidadão adentrou o estabelecimento comercial de Lindomar. A noite estava escura e a situação ficando preta.

O suposto cliente entrou no comércio e parou. Olhou para os lados. Silêncio. Com a autoridade que o cidadão achou que tinha, por portar uma arma, sacou o revólver e anunciou o assalto. Assustado, Lindomar gritou por socorro e deu no pé. Correu com toda força que pôde para fora do estabelecimento. O ladrão ficou sozinho lá dentro.

Coincidência - ou não - naquele momento um policial passava pelo local e percebeu a movimentação estranha. Ele viu o suspeito com a arma na mão e decidiu desarmá-lo. Corajoso. Tanto que o PM e o ladrão travaram uma luta dentro do comércio. O assaltante, também assustado e pego de surpresa com a inusitada situação, acabou deixando a arma cair no chão. Em seguida, o meliante fugiu sem roubar nada.

A arma, um revólver da marca Strong, calibre 32, não tinha munição e foi apreendido pela polícia. O caso foi registrado na Delegacia Metropolitana de Cuiabá. Lindomar ainda está se recuperando do susto.

13.6.06
 
Arca de noé
Bicharada descontrolada invade centro de Cuiabá

Ao contrário do que alguns desavisados possam estar pensando, a tal bicharada no título não tem relação alguma com a parada gay. É que recentemente deu a louca nos bichos em Cuiabá. A cidade, que tem ares de metrópole em desenvolvimento, muitas vezes, a maioria, digamos, ainda se apresenta como um vilarejo provinciano. Sem saber o que é desenvolvimento, muito menos provinciano, cavalos e vacas resolveram passear pelo centro de Cuiabá. E fizeram sucesso...

A primeira aparição bovina aconteceu na rua Joaquim Murtinho. Uma vaca invadiu, vejam só, uma padaria. Não se sabe até hoje de onde surgiu o animal. Quer dizer, não há informações de como o bicho foi parar lá no centro. Suspeita-se que ela tenha saído de um cinema localizado em frente à padaria onde são exibidos, digamos, filmes impróprios para animais menores de 18 anos.

A vaca, que muitos diziam estar louca ficou por longos minutos dentro do estabelecimento esperando ser atendida. A polícia foi chamada e até os bombeiros. Em seguida também se mobilizaram uma equipe do Centro de Controle de Zoonoses da capital e do departamento de medicina veterinária da Univesidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Dizem que ela foi obrigada a se retirar depois que se recusou a tomar um copo de leite, desnatado.

Outro caso não menos curioso aconteceu em uma avenida de trânsito intenso, a Miguel Sutil. Motoristas eram obrigados a frear e desviar de um bando de cavalos que passeavam pela pista. Alguns motoristas mais apressadinhos e inconformados com os bichos na avenida até buzinavam em protesto. Os cavalos, por outro lado (literalmente), estavam ca***** e andando para os animais atrás dos volantes.

O CCZ também foi chamado para remover os cavalos e levá-los para um abrigo. A imagem é reprodução da TV Centro América.

15.4.06
 
Gula
Polícia gruda em ladrão suspeito de furtar 18 pacotes de chiclete

Furto em supermercado não é novidade. Infelizmente. Nas delegacias há dezenas de registros de ocorrências de pessoas que furtam, geralmente, gêneros de primeira necessidade (?!). Tem furto de picanha, creme de barbear, desodorante... Em Páscoas passadas flagraram até uma senhorita furtando 14 quilos de sonho de valsa . A história recente é referente a outro vício. Sei lá se é vício. Só não consigo imaginar porque tanta compulsão por chiclete. Isso mesmo. O cidadão detido em um supermercado da capital havia furtado 18 pacotes de chiclete.

Já era noite em Cuiabá quando os seguranças do supermercado Comper verificaram um homem caminhando pela seção de guloseimas do estabelecimento. Ricardo S. (24) escolhia chicletes. Selecionou 18 da marca Trident. Porém, de acordo com o boletim de ocorrência, Ricardo não havia pego um carrinho para levar os produtos ao caixa. A solução foi guardar tudo dentro da bermuda e caminhar, devagar, até a saída.

Ricardo passou pelos caixas sem pagar pelos chicletes e foi seguido pelos seguranças. No estacionamento foi dada a voz de prisão. O suspeito quase se borrou ao ser flagrado, mas se conteve. Se não conseguisse segurar, pelo menos ia se borrar com aroma de menta.

A polícia foi chamada e levou Ricardo até a Delegacia Metropolitana de Cuiabá. O delegado plantonista determinou que o suspeito fosse liberado devido à "insignificância do valor econômico" dos objetos furtados. Segundo o supermercado, os chicletes furtados custam um total de R$ 81,34. Já vi gente ficar atrás das grades por muito menos.

4.4.06
 
Mais um post da série Vale a Pena Ler de Novo:

Arrasta pé
Manco tenta assaltar lanchonete e não consegue fugir

Comédia! Um ladrão manco e encapuzado tentou assaltar uma lanchonete em companhia de dois comparsas. O que os três não esperavam é que um cliente ia reagir e sacar um revólver. No tumulto, o manco não conseguiu correr e foi preso em flagrante.

Estamos no bairro Jardim Buriti, na periferia da capital. São 2h da madrugada e uns bebuns ainda se esparramam pelas mesas de uma lanchonete. Entre os bebuns, havia um cliente muito sóbrio. Até demais.

Enquanto alguns se afogavam no último gole de cerveja, e outros em alguma cachaça vagabunda, três jovens se aproximaram do bar. Os três estavam encapuzados. Ninjas? Dia das Bruxas? Policiais do COE? O que teriam imaginado os bêbados? O cliente sóbrio sacou na hora do que se tratava e se antecipou à ação dos marginais. Puxou um revólver da cintura e deu-lhes pipoco.

Os assaltantes, assustados, deram no pé. Um deles deve estar "dando" no pé até agora, porque não conseguiu escapar: era manco. O perna-presa Orisvaldo Damião (24) até tentou correr, mas não conseguiu e foi preso em flagrante. Ele foi levado para a Delegacia Metropolitana de Cuiabá.

8.3.06
 
Roubo por encomenda
Vovó e netinhos aterrorizam taxistas na capital

"Essa família é muito uniiiida. E também muito ouriçada. Rouba por qualquer razão e sempre escapa da prisão...". É mais ou menos assim a música que deve embalar a vida de uma família de ladrões que fez duas vítimas recentemente em Cuiabá. Os dois alvos eram taxistas que certamente ficaram espantados com a ousadia da vovó em cometer assaltos acompanhada dos netinhos.

Hélio Santiago Ribeiro Silva (53) estava dirigindo o táxi dele, um Gol, próximo a um shopping da capital. Foi parado por dois casais acompanhados de duas crianças. A família pretendia ir até o município vizinho de Santo Antônio de Leverger. Hélio comemorou contidamente. Receberia uma boa quantia pela viagem. Mais tarde ele também iria comemorar, mesmo não tendo recebido nada, mas por sair com vida da viagem mais dramática e inusitada da vida dele.

Mãos no volante

Assim que se afastaram do shopping, os passageiros informaram o motorista que precisavam passar em um bairro da capital para pegar o dinheiro que seria utilizado para pagar a viagem, antes de chegarem ao destino. Quando chegaram ao bairro Nova Esperança II, um homem e uma mulher mostraram a que realmente estavam no táxi. Sacaram duas armas e anunciaram o roubo. O mais espantoso é que a ladra armada era uma senhora do alto dos seus 60 e poucos anos. Os ladrões só não disseram o tradicional "mãos ao alto" porque Hélio estava dirigindo e precisava manter as mãos no volante.

Os ladrões eram exigentes. Sabiam que pegaram um Gol, mas disseram que a "encomenda" era de um automóvel modelo Corsa. Para não perder a viagem, pediram que Hélio indicasse um taxista amigo dele que tivesse um Corsa "disponível" naquele momento. Porém, Hélio se negou a prestar a informação e foi abandonado em uma rua do bairro. A quadrilha fugiu com o Gol branco, o telefone celular da vítima e R$ 100.

Perseguição

O taxista conseguiu avisar a polícia, que passou a fazer rondas pela região. Por volta de 1h15, os policiais avistaram um automóvel que poderia ser o roubado. Houve perseguição e, em certo momento, a quadrilha abandonou o carro e fugiu por um matagal. Ao verificar que carro era aquele, os policiais constataram que era um Corsa branco roubado momentos antes do taxista Jurandir Bispo Lima (50).

Pouco depois Jurandir foi localizado, no bairro Tijucal. Ele contou que também foi abordado por dois casais com duas crianças, que o assaltaram. Próximo ao local em que ele foi rendido, os policiais encontraram o Gol que foi roubado e rejeitado do primeiro taxista.

Os ladrões não foram localizados e o caso foi registrado na Delegacia Metropolitana de Cuiabá. Para os taxistas, restou a lição de que todo passageiro é suspeito até que a corrida acabe.

12.2.06
 
Se minha moto falasse
Jovem escapa de prisão por roubo mas vai em cana por receptação

A história é estranha e não convenceu os policiais militares. Uma moto roubada foi encontrada em poder de um jovem no bairro Parque Cuiabá. O suspeito negou ter cometido o roubo, mas mesmo assim, se não foi preso por um crime, ele acabou detido por outro delito.

O promotor de vendas Sérgio Ferreira de Oliveira (23) parou às 22h em uma agência bancária na avenida Fernando Corrêa da Costa. O local é conhecido pelos policiais e ladrões. As agências daquela região são muito visadas para a prática de roubo a clientes. Só quem não sabe disso são as vítimas. Sérgio era uma delas.

A vítima desceu da moto, uma YBr 125 preta, e foi logo abordado por dois meliantes. Um deles estava armado com um revólver. Em seguida seguiu-se o roteiro. Sérgio com as mãos ao alto. Os ladrões cheios de si e pedindo tudo o que tinham direito. Quer dizer, não tinham direito algum. Mas, vá contrariar um cara com uma arma...

Os assaltantes levaram a moto e a carteira da vítima com três cartões de crédito e documentos. Em seguida a polícia foi comunicada do roubo.

E o tempo passou, mas não muito. Seis horas depois policiais militares faziam rondas de rotina no bairro Parque Cuiabá. Pararam na lanchonete Chamas, que naquele momento fervia de gente. Os PMs verificaram que havia no local uma moto semelhante à roubada horas antes. Questionaram o cliente sobre quem era o proprietário, mas ninguém se entregou. O jeito foi revistar e fazer a brincadeira da chave premiada.

Todos apresentaram suas chaves e a "premiada" era a que estava no bolso de Éderson Souza Seabra (19). Como não havia mais desculpa e desmentir que não estava com a moto, resolveu entregar o jogo. Na verdade ele contou uma história que deixou mais nebuloso o caso do assalto. Éderson disse que encontrou a motoca em frente à policlínica do bairro Coxipó com um capacete e a chave na ignição. Disse que ela pediiiia para ser furtada. Foi o que ele fez. Montou na moto e saiu para dar um rolé.

O curioso é que o suspeito foi levado à delegacia e o verdadeiro dono da moto não o reconheceu como um dos autores do roubo. Desta forma, a história de Éderson ganhou força, mas ele não escapou do flagrante por receptação de veículo roubado.

3.2.06
 
Droga delivery
Homem tenta entregar marmita cheia de maconha para preso em delegacia

A imaginação não tem limites. A imbecilidade também não. Um homem imaginou que conseguiria ir de madrugada a uma delegacia e entregar uma marmita recheada de maconha para um preso que estava na carceragem. O máximo que conseguiu foi fazer companhia ao amigo. E sem direito a jantar.

Izaías Bezerra (19) foi até a Delegacia do Coxipó noite dessas para, a princípio, prestar solidariedade a um amigo que estava detido. Izaías pretendia entregar uma matula a Joel Pinto do Nascimento, que estava atrás das grades. Disse ao policial que preparara com muito carinho a comida para o companheiro. O investigador Idelcides de Moura (45), que estava de plantão, desconfiou. Com toda razão. O investigador percebeu que se a comida chegasse às celas, os detentos poderiam ter indigestão.

Idelcides pegou a marmita e a abriu. Não foi surpresa encontrar lá dentro, junto com a comida, um saco preto. Dentro dele havia droga. O entregador-traficante foi detido em flagrante e confessou que comprou a droga no bairro Coophema para entregá-la a Joel dentro da delegacia.

30.1.06
 
Espertalhão
Jovem finge estar machucado e usa ataduras para esconder cocaína

A criatividade dos meliantes não tem limites. A cada dia eles se superam na busca de uma forma mais incrível para cometer os delitos. Esse é mais um exemplo. Um jovem de 21 anos simulou que estava machucado para poder carregar droga sem ser percebido. O truque deu errado e o espertalhão acabou atrás das grades.

Vila Rosa, Cuiabá. Jéferson Rocha de Arruda caminha por uma rua do bairro às 22h40. Ele está cometendo um crime, mas ninguém percebe. Jéferson carrega consigo trouxinhas de cocaína. O suspeito anda impunemente até que uma viatura da Polícia Militar se aproxima.

Os policiais passam devagar por Jéferson, que manca com a perna esquerda. Ela está enfaixada. Talvez pelo nervosismo de ser descoberto ele se entrega. Por um instante ele manca com a perna direita, que não está enfaixada. Os policiais param e o revistam.

Na atadura da perna esquerda os policiais encontram escondidas sete trouxinhas da droga. O jovem, que não estava machucado coisa alguma, confessa que usou as ataduras apenas para carregar a droga e passar desapercebido. Interrogado, ele conta que comprou cada trouxinha por R$ 5 e nega que seja traficante. "Senão eu não estaria passando por necessidades", argumenta. Com ou sem argumento, Jéferson é levado para a Delegacia Metropolitana.

4.12.05
 
Chocólatra
Ladrão guloso vai preso ao tentar furtar barras de chocolate

Vinte e cinco reais. Esse é o valor das barras de chocolate que colocaram Janilson Sebastião Carrijo (35) atrás das grades. Ele foi preso em flagrante ao tentar furtar os chocolates do supermercado Atacadão, no bairro Porto, em Cuiabá.

Janilson entrou no mercado e foi direto para a seção de guloseimas. Os sentidos, apurados. Olhou, cheirou, tateou e até sentiu a boca encher d'água ao localizar os objetos do desejo. Cinco. Sorrateiramente, apanhou cinco barras de chocolate e as colocou embaixo do braço. Cada um custava R$ 5.

O suspeito dirigiu-se à saída do estabelecimento, talvez extasiado pela vontade em devorar o chocolate. Saiu furtivamente, levando os chocolates e imaginando que nada o deteria. Estava enganado. Seguranças o seguiam a princípio com os olhos. Em seguida, pé ante pé.

O fiscal de prevenção (isso lá é função!) Waldebran Hilário Ribeiro (26) contou à polícia que seguranças foram atrás de Janilson, que correu. A poeira levantou e a perseguição terminou na avenida XV de Novembro, atrás do Atacadão.

O chocolate já estava derretendo quando Janilson foi levado até a delegacia. Ainda com água na boca, o suspeito se negou a prestar depoimento. Só falaria em juízo. Janilson poderia ser liberado, mas os policiais verificaram que o suspeito já tem diversas passagens por outros crimes. Reincidente, o chocólatra foi detido em flagrante.

24.11.05
 
Falhou
Espertalhão se ferra ao tenta dar golpe duas vezes na mesma vítima

Dona Vânia Florentino Bontempo (42) tem sorte. Quer dizer, sorte teria se não tivesse caído no golpe. A questão é que o espertalhão tentou enganá-la duas vezes. Ela o reconheceu e se safou da segunda encrenca.

O golpe não é novo, mas a vítima era. Vânia estava esquentando a cabeça para vender um forno industrial. Não conseguia de jeito algum até que um homem a procurou mostrando-se muito interessado no negócio. Mal sabia ela que o tal negócio que ele se interessou era a grana dela.

Acertaram os detalhes da venda e Gilmar Paulo de Pinho (30) adquiriu o forno por R$ 600. Pagou em cheque. Mas - e sempre tem um mas - pediu um pequeno prazo. Empolgada com a venda, Vânia cedeu e segurou o checoso por 10 dias. O susto chegou na boca do caixa: o cheque era furtado.

Prejuízo

Vânia entrou em colapso. Contava em receber o dinheiro da venda, que já tinha destino certo. Com o prejuízo instalado, decidiu vender outro bem para tentar controlar as finanças. Colocou à venda uma máquina de costura. E não é que nosso suspeito gostava de fazer compras...

Uns 20 dias depois de aplicar o golpe na dona Vânia, eis que Gilmar vê o anúncio da venda da máquina de costura. Ele não lembrava o nome da vítima. Já contando o dinheiro fácil que poderia receber, liga pra ela para acertar os detalhes da compra. O problema (ou seria a solução) é que Vânia tem boa memória e na hora reconheceu o larápio. Ela teve a idéia de marcar o encontro para vender a máquina. Foi com a polícia junto.

Criatividade

Detido, Gilmar assumiu o golpe. Disse que comprou uma folha de cheque assinada no valor de R$ 600 em um cassino próximo ao Aquário Municipal. Pagou R$ 15 na folha. Segundo ele, no mesmo dia comprou o forno de Vânia e horas depois o revendeu por R$ 200 ao dono de um pregão no bairro Dom Aquino. Fizeram as contas? O malandro tinha R$ 15. Alguns telefonemas, algumas horas e alguns golpes depois o dinheiro se multiplicou. Como sabemos que essa conta não existe na vida lícita o resultado só podia ser um: cana. Será?

A polícia foi até o pregão e o forno, acreditem, ainda estava lá à espera de um comprador. O dono do pregão devolveu o forno à vítima e Gilmar comprometeu-se a pagar os R$ 200 de volta ao pregão. Sim, apenas se comprometeu. Ele não ficou preso porque, segundo o delegado Massao Ohara, não houve flagrante e Gilmar foi liberado.

Apenas para contextualizar, recentemente Gilmar foi detido novamente pelo mesmo golpe em um posto de combustível.

18.11.05
 
Na revista
Mulher recheada de maconha é presa ao tentar entrar em presídio

Topou tudo por dinheiro. Uma mulher foi flagrada pela polícia militar recheada com maconha. Katiane Soares de Albuquerque (25) tentava entrar no presídio Pascoal Ramos para entregar a droga a um preso. O plano deu errado e agora é ela quem está atrás das grades.

Fazia calor na tarde de domingo quando Katiane rumou para o presídio. Dias antes, ela conta, um vizinho apareceu na casa dela com uma proposta inusitada. Prometeu entregar a ela R$ 230 caso Katiane topasse fazer um servicinho pra ele. Disse que era coisa simples. Levar uma encomenda a um amigo que mora no Pascoal Ramos. Ela deve ter pensado que se tratava do bairro e não do presídio. E topou.

Plano infalível

Depois o vizinho, um tal de Edinho, explicou como seria feita a entrega. Um amigo dele, Marcos Paulo da Silva, está encarcerado em uma cela do raio 1 do presídio. Disse que Marcos está há dias com uma vontaaaade de dar uma baforada. Edinho prometeu matar a vontade do colega e contratou Katiane para o disque-entrega. Na verdade, Katiane seria a responsável por instalar um disque-entrega no presídio. É que na proposta de Edinho, ela não levaria apenas a droga para a cela de Marcos. Ela também teria que levar um telefone celular. Como? Só havia um jeito.

Voltemos ao domingo. Katiane pegou a droga, o telefone celular Motorola modelo CE0168, e pensou como poderia levar tudo isso para dentro do presídio sem que ninguém percebesse. Na verdade, ela já sabia como fazer, só tentava imaginar se havia outra saída. Dentro de um bolo? Nem pensar. Dentro do sapato? Não dava, o pé dela é muito pequeno. Não teve jeito. Tascou tudo dentro de uma sacola plástica e escondeu tudo na genitália. Já pensando em comemorar o êxito na empreitada, Katiane aproveitou o espaço e também escondeu duas latinhas de cerveja, um pote de azeitona em conserva e um pedaço de provolone. Brincadeira. A comemoração ficaria pra depois.

A espertalhona, a passos curtos, chegou ao presídio e ficou na fila da revista. Suava frio. Não se sabe se era nervosismo ou se era de preocupação. Ela não se lembrava se havia desligado ou não o telefone. A policial Izabel Cristina de Souza percebeu que havia algo errado. Katiane foi levada para uma sala reservada e passou a ser interrogada e revistada pela soldado Cristina.

No esconderijo

A princípio, Katiane negou qualquer irregularidade. Mas a soldado era experiente e sabia que no fundo, no fundo, bem no fundo, Katiane estava escondendo alguma coisa. A policial pediu para que Katiane agachasse. Ela se recusou. Bingo. A visitante confessou que tinha sido incumbida de levar droga e o celular para dentro do presídio. Ela mesma retirou, sem muito custo, a mochila, digo, a sacola, de dentro da genitália.

Katiane foi presa em flagrante por tráfico de drogas e agora também está atrás das grades, no presídio feminino, ao lado do Pascoal Ramos.